ARTIGO: Prática Interdisciplinar: Educação de jovens e adultos (EJA)

 

Prática Interdisciplinar: Educação de jovens e adultos (EJA)

 

Victor Emanoel Dos Santos Sousa¹

 

RESUMO

 

A educação de jovens e adultos “EJA” é uma das formas de reintegração daqueles que abandonaram seus estudos de forma prematura, não podendo assim ter conquistado melhores condições de vida. E como política pública, esta prática educacional não vem sendo praticada de forma eficaz, com isto foi debatida e treinada da melhor forma como maneiras de resgatar essa prática educacional de forma eficaz, evidenciando assim seus alunos e o levando até a meta de conclusão do ensino.

Palavras-Chave: educação, educação de jovens e adultos, Paulo Freire, reintegração, educação da liberdade, EJA conclusão do ensino.

 

1.      INTRODUÇÃO

 

A educação de jovens e adultos (EJA) é uma das políticas públicas menos favorecidas nacionalmente. Com o advento da pandemia no ano de 2020 muitas áreas migraram para o modelo remoto, dentre elas a educação, com isto sabe-se que na educação de jovens e adultos (EJA), muitos alunos acabam desistindo em continuar seus estudos pelo simples fato da falta de conhecimento tecnológico. Com esse advento muitas escolas foram obrigadas a cancelar algumas turmas de “EJA” pela falta de alunos matriculados. Com isto levanto esse artigo para debatermos a educação de jovens e adultos, como ela é praticada e como são os seus formadores. De acordo com Freire (1987): “educação essa prática da liberdade faz-se necessária pensa-la como uma ação com o povo e não simplesmente oferecida para o povo”.

Freire, mostra uma educação libertadora e promissória para o jovem e adulto, mas com isto surge um questionamento, como uma educação pós pandemia deve se estruturar para atrair seu jovem e adulto para assim proporcionar uma restrição da educação de base, saiba-se que o modelo de educação de jovens e adultos, é totalmente diferente da educação praticada em salas de aula, pois esse modelo tenta conciliar a vida do aluno à prática educacional.

Quando falamos de “EJA” em contrapartida da pandemia não apenas lembramos de sua falta, mas lembramos também de sua enorme desestruturação, por conta da falta de instrução que não foi repassada para os alunos, pensem o seguinte fato, como um aluno cujo tem sua idade avançada, muitas vezes morador de periferia que não tem uma internet acessível poderia estudar de forma assíncrona? Dinorah (1995) cita: “O grande problema da nossa sociedade -e aí estão professores e educadores para confirmar – é o baixo nível de conhecimento”. Como isto podemos ver que o conhecimento adquirido pelos alunos da educação de jovens e adultos, não é praticado de forma eficaz, pois esse modelo de educação tem como alvo a reestruturação do ensino, fazendo o aluno concluir seus estudos.

Como uma educação que tem o propósito de apenas fazer o aluno concluir seus estudos vai enganá-los numa prática educacional de ensino superior?

 

2. AÇÃO TEÓRICA

 

 

A educação de jovens e adultos no Brasil, foi um legado de Paulo Freire, Freire cita: “Se a educação não muda a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Com isto sabe-se que o EJA foi uma das lutas marcantes de Paulo Freire, patrono da educação brasileira e em seu centenário no ano de 2021 cujo país saiu de uma pandemia foi necessário olhar um novo modelo a ser aplicado na educação para resgatar o tempo perdido.

Quando falamos em tempo perdido lembramos dos alunos que abandonaram a escola, alunos estes que passam o dia lutando para levar os mantimentos para casa, alunos que têm apenas volta da noite para estudar, que desejam e sonham concluir a educação básica para terem melhores qualidades de trabalho. Freire (2013, p. 31) defende:

 

“Quem, melhor que os oprimidos, se encontrar preparado para entender o significado terrível de uma sociedade opressora?” (“Blog do Prof. Nairo Bentes: Quem, melhor que os oprimidos?”) Quem sentirá, melhor que eles, os efeitos da opressão? Quem, mais que eles, para ir compreendendo a necessidade da libertação? Libertação a que não chegarão pelo acaso, mas pela práxis de sua busca; pelo conhecimento e reconhecimento da necessidade de lutar por ela. Luta que, pela finalidade que lhe derem os oprimidos, será um ato de amor, com o qual se oporão ao desamor contido na violência dos opressores, até mesmo quando for referida a revista da falsa generosidade.

 

O “EJA” possui suma importância na sociedade brasileira, pois além de uma luta também é considerado uma política pública, pois é através dela que podemos definir onde a educação chegou e quais caminhos ela está trilhando, de acordo com Demo, 2001 p 320

"O sistema não teme o pobre com fome, teme o pobre que sabe pensar. O que mais favorece o neoliberalismo não é a miséria material das coisas, mas sua ignorância. Essa ignorância os conduz a esperarem a solução do próprio sistema, consolidando sua condição". (“Educação de jovens e adultos no centenário de Paulo Freire...”)

 

Com o advento da pandemia no ano de 2020 foi onde podemos viver o número de matrículas da EJA despencar de acordo com o site Moderna os indicadores mostram que no ano de 2020 apenas 3.002.749 alunos matriculados na EJA, mostrando assim uma queda em relação a 2010 onde eram 4.325.587 Fonte: https:// www.moderna.com.br/anuario-educacao-basica/2021/eja-educacao-de-jovens-e-adultos.html#numero-de-matriculas-na-eja-brasil-2010-e-2020-numúro-de-matrículas-na-eja-de-nivel-fundamental-brasil-2010-e-2020 . ​Isso demonstra o total de alunos que não conseguiram conciliar a vivência educativa com a vida cotidiana, interessante, uma educação que não preparou para viver de acordo com Freire; Guimarães, 1982, pág. 34 “Quem programa é o sujeito da programação, e o sujeito da programação é o professor e não os educandos [...] os educandos não são de maneira não consultados em torno de sua prática e o que é terrível – continue Freire – é que a prática é parte da formação.

 

Visto isso podemos afirmar que com o advento da pandemia houve uma quebra na base de ensino da EJA, onde os alunos foram inseridos em uma situação que antes não reconhecia “a vida tecnológica”. Muitos alunos preferem abrir a mão da educação, como podemos falar de educação em um país que não educa quem mais merece ser educado, que não incentiva quem tanto protege, com esse fato podemos afirmar que Demo estava certo quando citou “O sistema não teme o pobre -com fome, teme o pobre que sabe pensar”.

 

Agora podemos afirmar que a educação de jovens e adultos está defasada como política pública, logo na época que se foi comemorado o centenário do patrono da educação brasileira Paulo Freire, na época que mais se fala de educação, educação essa que oprime e nem liberta não só os adultos, mas os jovens e as crianças, de acordo Chubb e Moe (1990)

 

“Uma vez que a educação tem um valor de troca, assim como um valor intrínseco e uma vez que seu valor-na-troca, como de qualquer outra moeda, não depende da quantidade do bem do ínvido possuir termos absolutos” .

 

Com isto podemos resgatar as vinte metas do plano nacional de ensino (PNE), na revista UECE cita que o PNE reafirma a necessidade de ampliar para 25% a oferta de matrícula no ensino fundamental e médio, na forma integrada à educação profissional.

 

3. MATERIAIS E MÉTODOS

 

Este artigo foi escrito através de leituras e pesquisas feitas em livros e revistas, o livro que baseou a pesquisa foi o dicionário de Paulo Freire, onde foram coletadas palavras-chave e links para fins de complementação da pesquisa.

Da base do ensino foi utilizado o livro Pedagogia da exclusão onde aprofundamos a base do ensino “EJA” e assim fomos capazes de comentar sobre o assunto.

Ao longo da leitura desses dois livros utilizamos caderno e caneta para fazer as anotações devidas para melhor fundamentar nossa pesquisa, foi-se permitido duas semanas de leitura e mais dois dias para organizar os conteúdos e anotando os mesmos para que exista a coerência entre os assuntos.

Terminada a leitura dos livros e terminando essa primeira fase de anotação, escolhemos a revista UECE, revista da Universidade Estadual do Ceará. Revista essa que publica alguns artigos de seus alunos, quando lidos os artigos sobre “EJA” e da importância de Paulo Freire, entramos em anotação que levou mais dois dias, com esse recolhimento de pesquisas ok, podemos assim fundamentar nossa pesquisa e a partir das transcrições.

 

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

 

O resultado do progresso nesta pesquisa demonstrou a necessidade de políticas públicas externas para o “EJA”, pois através das leituras foi vivenciado a importância de uma reestruturação da educação de jovens e adultos, educação que vem sendo debatida apenas em livros, mas que na prática mostra a falta de um bem público para defendê-la.

No ano de 2021 foi-se comemorado o centenário de Paulo Freire, onde educadores se reuniram para debater uma forma para que o aluno da pandemia não perdesse conteúdo, para isto eles realizaram formas de integração educacional, para resgatar conteúdos (Vale ressaltar que apenas a educação básica foi comentada).

A educação de jovens e adultos anda esquecida como política pública, onde nos eventos de educação a mesma não é comentada, mas esquecido como se não existisse, no ano de 2022 houve o primeiro evento voltado para professores da rede de educação de Fortaleza Ce, evento nomeado de outubro docente comentou demasiadas formas de ensino dentro da rede, nenhuma das palestras eram específicas para o “EJA”.

Com isto conclui-se que existe a necessidade de a educação de jovens adultos ser firmada como educação dentro do sistema educacional, para que a mesma receba os mesmos privilégios como os demais sistemas de educação.

 

5. CONCLUSÃO

 

Com isto concluímos este artigo com as seguintes conclusões: Que a educação de jovens e adultos deve ser reformada para que se adapte ao perfil do aluno. Trabalhando assim de modo que consiga alcançar os objetivos que o aluno deseja realizar, segundo, novas práticas educacionais, onde o aluno aprenda não apenas o básico ensinado, mas também a informática básica, preparando-os para os novos modelos de ensino, sabemos que a sociedade está em constante transformação a educação deve seguir também essa transformação para que em casos como ocorreu na pandemia a educação já esteja acostumada e não sofra tantos danos como ocorridos na pandemia do novo coronavírus.

Como isto urge uma necessidade, trabalhar para uma educação eficaz e de fácil adaptação, pois é necessário que o aluno consiga se adaptar para que não aconteça resistência nas escolas que possuem EJA, pois a educação é necessária e suas transformações também.

 

6. REFERÊNCIAS

 

ALMEIDA, Nadja Rinelle oliveira de; FONTENELE, Inambê Sales; FREITAS, Ana Célia Sousa. Paulo Freire e a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ensino em Perspetivas, Fortaleza, v. 1, pág. 1-11, 2021.

BRASIL, PNE-Ministério da Educação, Brasília, 2014. Disponível em: http://pne.mec.gov.br/images/pdf/pne_conhecendo_20_metas.pdf . Acesso em: 26 nov.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CP, nº 05 de 13 de dezembro de 2005. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/pcp05_05.pdf.

Acesso em 22 nov. 2022.

DINORAH, Maria Dinorah; O LIVRO INFANTIL EA FORMAÇÃO DO LEITOR, Petrópolis, RJ: Vozes 1995

Melo, MMO., & Lima, NLG de. (2021). A EJA no Plano Nacional de Educação. Ensino Em Perspectivas , 2 (4), 1–3. Recuperado de https://revistas.uece.br/index.php/ensinoemperspectivas/article/view/6594

 

Https:// www.moderna.com.br/anuario-educacao-basica/2021/eja-educacao-de-jovens-e- adultos.html#numero-de-matriculas-na-eja-brasil-2010-e-2020-numero-de-matriculas-na-úja-de- nível-fundamental-brasil-2010-e-2020

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